domingo, 13 de janeiro de 2013

Sol brilhar basta

   No fim de um dia meio agitado ou depois de uma noite com pesadelo, ver o sol é reconfortante.
  Não tem porquê economizar sorriso quando o dia insiste em ficar bonito. Não dá pra ficar braba, não tem como.
  Cara feia, nem com muita fome quando o dia é ensolarado.
  Precisa de muita chuva pra se esquecer do brilho do sol e precisa daqueles de rachar coco pra querer uma chuvinha, pra refrescar.
  Bico, cara amarrada, tristeza no olhar e ruga na testa: tudo sai na luz do sol, é só se deixar alegrar.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ano Novo

 
Que tipo de preocupação insiste em existir no primeiro dia do ano?
  Até chegar a meia-noite do dia 31 de dezembro, todo mundo fica meio exagerado: profundamente tranquilo ou totalmente ansioso. Pra mim, todo mundo fica com uma ruguinha de preocupação, qualquer que seja o motivo. Réveillon mais ou menos é só mais um dia comum.
  Temos preocupação para que a felicidade não resolva ir embora, e mais, que ela traga suas vizinhas e venham logo morar em nossa rua.
  Há também a preocupação em fazer tudo valer a pena. Nada pode ser desperdiçado, toda experiência tem que ser válida. Somos loucos querendo fazer de tudo memorável, mas, inevitavelmente, vem uma memória mais valiosa e tira o lugar das festas frustradas. Arrumamos guarda-roupa, doamos coisas, somos outros limpos e melhores. Que bonito é ver coisas no começo!
  O início do ano deve ser brilhante. Nem pensar em tapear as falhas, elas devem ser imediatamente corrigidas ou esquecidas de vez. Enfim, o erro não tem lugar num ano-novo. O novo é só acerto.
  Não que não tenhamos direito de errar. Temos como direito, não como dever. Erramos sem querer, mas temos cuidado para não mancharmos o ano-novo tão branquinho.
 Pular ondas, não economizar e soltar fogos para que o barulho espante o mal fazem parte do ritual comum. Para celebrar, agradecer, prometer (principalmente).
  Lá vem um ano no começo. Ainda restam mais de 300 dias para correr atrás do que se quer. Ainda há brilho no olhar, ainda lembramos do barulho dos fogos e vamos continuar assim até chegar agosto, numa segunda-feira temida, implorando por outro ano, porque esse já tem que terminar.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sobre como a marca da vodca virou sinônimo de status social e outras coisas

  Já venho há algum tempo reparando em certos comportamentos que surgem de repente e desencadeiam uma série de ações. Me questiono com certa frequência: por que tanta coisa vira moda do dia pra noite?
  Alguém influente que usa/come/fala sobre algo é seguido por várias pessoas por um período de tempo, que varia conforme a utilidade do modismo e a influência do criador. Aí, criado o hábito, é só esperar ele morrer sufocado por outros ou pela consciência, que tarda, mas não falha (pelo menos nos mais sensatos).
  Nós, seres humanos, que nos julgamos tão individuais e complexos, seguimos o fluxo, qualquer fluxo, e não adianta dizer que não. Funcionamos na base do exemplo desde crianças. Até os mais outsiders são semelhantes entre si.
  Buscamos inspiração em pessoas que admiramos, em ações que sejam confortáveis, em teorias mirabolantes. E, quando nos falta motivo, optamos pelo mais mundano: o preço. Preço, pelo menos nessa redondeza, é o que dita qualidade e consequentemente procura. Quanto mais caro é o produto, mais seus consumidores crescem na escala social.
  Sim, existe a qualidade e pagamos por ela. Sou desse tipo que não reclama da carestia se valer a pena. Mas queria atentar para um tipo "especial".
  Vocês já devem conhecer os metidos-a-qualquer-coisa que simplesmente copiam, ipsis litteris, o hábito alheio e o tomam como se fosse seu só porque transparece riqueza. Importando o produto, importa-se também a pose, que não cai bem em todos. A pose mal colocada é o que denuncia o tipo.
  É comum (juro! É só reparar!) alguém se mascarar de glamour e mostrar falhas, claras, tamanha a superficialidade de suas ações. Tal qual tropeçar de salto alto. Essa gente só sabe de preços e ostentação.
  Exemplo: brasileiros que somos, temos ainda pretensão de sermos entendedores da mais russa das bebidas (não sei se "a mais russa" até porque não sei nada da Rússia), a vodca. Falta só cheirarmos as tampas e fazermos bochecho para mostrar o quanto somos presunçosos.
  Para mim, isso serviu como alarme da demência generalizada que estamos vivendo. Meio a uma balada, caso você se mantenha sóbrio, pode-se notar que as pessoas (se) classificam conforme a vodca que estão bebendo/comprando. Numa escala que varia entre festa com nome estrangeiro e farofada na praia, para mais ou para menos, temos Belvedere, Absolut, Grey Goose, Smirfnoff, Orloff, Natasha e Raiska: a classificação que supera a escala alfabética de A, B, C, D (e sei lá mais quantas).
  Chegamos num ponto que o upgrade é efeito colateral da ressaca e do valor. Cada foto de rótulo no Instagram é como se fosse uma aparição no Domingão do Faustão, traduzindo para o showbiz.
  Subimos um degrau a cada dose e a torcida é para que o preço seja mantido e a queda não seja tão dolorosa. Pertencemos a novas classes sociais, dependendo do preço marcado no cardápio.
  Entre lentes espelhadas e botinhas ortopédicas fashion, a razão do porre é confusa: não se sabe se é por pessoas ou bebidas falsificadas. 
  Assistimos embriagados à nova evolução humana: cabeças mais fracas, fígados mais fortes. Darwin ficaria decepcionado, suponho.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Chicobuarquear outra vez

  Ninguém mais esperava mais nada, até que chegou o dia surpresa. Mais um deles.
  Foi uma micareta. Uma surpresa fora de época que, com insistência, se encaixou no momento presente, assim, milagrosamente, como sempre. Dom do tempo praticamente.
  O calendário é suspenso, colocado em segundo plano em nome do agora. Mas, mesmo não existindo na cabeça, outras marcas denunciam o tempo passado. Aniversários de águas pelo rosto, das mais diversas, não deixam o resto do corpo se deixar levar outra vez tão facilmente.
  Ainda com limitações e cuidados, vejo se aproximar o que era pra ser, o que nunca deveria ter sido, a mistura daquilo que não sei bem se não deveria ter começado ou não deveria ter terminado.
  Acontece e é isso. Só acontecendo dessa vez, deixando, de novo, as coisas acontecerem por si e por ti.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Em setembro, quase nada



A primavera talvez seja a novidade mais certeira.
Acho que é isso. A única novidade.
Ah! Tem também o ano chegando ao fim. O Natal quase aí, o inverno que não tivemos, sair de casa de vestido sem passar frio.
Agora também era pra ser a fase das chuvas-sem-fim devastadoras que acabam com os sapatos dos mais superficiais, mas nem isso.
Setembro está de meia-idade e não pareceu se importar. Só tem passado.
Não tem sido daqueles meses em que não conseguimos fazer nada, nem parece que nunca vai ter fim. Setembro só envelhece a cada dia.
Também não criei nenhuma expectativa.
Longe de mim querer reclamar da normalidade, muito menos dizer que não houve surpresas. Teve disso também.
Fatos ocorreram e provavelmente muitos mais ocorrerão.
Acontece que não aconteci. Só fiquei no sofá da sala vendo nada passar. Setembro de sala de espera por águas (de setembro, que também existem!) que tragam promessa de vida, abrindo outra estação.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

História de Verdade

- E qual a emoção que você quer sentir?
- Ah, umas emoções aí... de história de vida real mesmo.


Vim buscando sensações relevantes em coisas simples. Me colocava no lugar de algum personagem de filme pra vibrar junto com ele na hora do beijo debaixo da chuva. Provava sabores de sorvete que nunca tinha provado, pedia Campari sem saber que tinha um gosto horrível e tomava até a última gota como se estivesse competindo em alguma maratona de drinks. Pode rir, mas eu buscava realização nessas coisas babacas. Buscava aí porque estava um pouquinho cansada de pessoas. Pessoas decepcionam, e ao contrário de um copo de bebida, não podem ser jogadas fora se não são do nosso gosto.
Dava muito trabalho buscar ser surpreendida positivamente, sabe? Aí, depois de tanto querer e ver que surpresa só vem quando a gente não espera, respirei fundo. Peguei a coragem que passeava por aqui e coloquei no bolso.
Foi fazer isso e ver que a vida da gente, a vida de verdade mesmo, é muito mais interessante que qualquer história da ficção. E se não for, é porque os autores não estão fazendo o seu melhor.
Todo mundo tem um pouquinho de autor em si. Tem também um pouco de vilão, de mocinho, de governanta e de mordomo: tudo que uma trama precisa. Mas é muito difícil saber que se tem tanta coisa sem a ajuda de alguém. O outro é necessário pra abrir nossos olhos.
Consegui emoções, mas não sozinha. Não se pode fazer quase nada sozinha, muito menos conquistar grandes emoções. Minha história é uma obra conjunta, feita por muita gente e com diversas ações construídas. Com cenas grandiosas feitas na base da insistência, com uma pitada de coincidências (devo muito ao "de repente"). 
Insisti porque sabia que valeria a pena, pelo menos desconfiava. Coisa boa a gente sempre desconfia que pode acontecer. E não dava pra esperar, entende? As emoções que tiram a gente do chão eram uma necessidade. Precisava ir atrás e precisava conseguir.
Não sei como está saindo, só sei dos capítulos anteriores. Só vou saber do hoje amanhã na hora da leitura, pois só se lê aquilo que foi escrito. É um probleminha de autoria, mas uma absurda vantagem de vida: ter o presente tão cheio de emoções misturadas que mal se pode ver.
Mas o bom de escrever a própria história é que ela só termina quando acaba. Antes do fim, a gente tem que se virar e preencher páginas em branco, linha por linha.