sexta-feira, 26 de outubro de 2012

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Retângulo diário

   Foi dia desses que percebi, sobre meu colchão, que uma grande parte de nossa vida acontece em cima de uma cama.
   Momentos de solidão e de reunião. Na cama, só a solidão profunda ou a reunião com quem mais temos intimidade. Aleatoriedade ali é afronta, invasão.
   É um tanto que nos acontece em 188 cm x 128 cm. Espaço ideal. Tão pouco é mais-que-suficiente.
   A busca pelo sem-limites se aquieta depois de horas sem cessar. Delimita-se. Descansa.
   Entre quase dois metros de comprimento e menos de um e meio de largura, cabem sonho, aconchego, conforto. Cabe insônia boa e ruim. Muitas combinações se encaixam nessa fronteira.
   Tudo que cabe num abraço ainda cabe nesse retângulo macio e até o que extrapola é extrapolado nele.
   Cabe uma noite. Cabe um filho. Cabe uma doença e o repouso. Cabe um colo.
   Um amor. Lágrimas. Suores.
   Cabe um pesadelo.
   Cabe perdão, reconciliação.
  Decepção não. Ela transborda, sai corrida daquele espaço que não a suporta. Não foi feito para suportar isso.
   Cama que é lugar de sentir-se, cenário de histórias que começam e terminam ali ou em outro lugar.  É nosso próprio departamento de RH, nossa reunião particular de balanço-geral, nossa ilustração de day off.



   Reflexão em colchão: pode não ser útil, mas pelo menos é fofinha.