domingo, 25 de setembro de 2011

Antes de 45 minutos

Possibilidade é a única certeza, além do fim. Logo, viver é mergulhar nas possibilidades, na primeira de todas as possibilidades: aprofundar ou passar por. Tudo é escolha, tudo poderia ser diferente se um mínimo detalhe não tivesse existido e é por isso que não existe nada igual. Nada.
A gente sempre tem uma possibilidade, mas nem sempre se tem oportunidade e o difícil é se controlar pra se jogar com cuidado. Não deixar de se jogar, de tentar. Nunca! Só pensar um pouco nos prós e contras antes de qualquer coisa e pesá-los. Quantidade nesse quesito é o que se torna insignificante perto da profundidade e complexidade das sensações, isso é o que pesa (e é isso que fica).
É tão difícil ter que escolher e ao mesmo tempo é sufocante não enxergar uma outra via. É uma sensação misturada, com gente de todo tipo, opções variadas e futuros diversos.
Sair do microcosmo e ver um pedaço do mundo faz mudar tanta coisa e nos deixa confusos, perdidos. É muita gente. Pessoas que vivem no lugar das outras e a falta de lugar. Onde a gente deveria estar? Que lugar é o mais apropriado?
É sair do sufoco, essa é a meta. Sair do mínimo, voar pra mais mesmo sabendo que o pouso pode ser no mesmo lugar da saída ou num lugar pior. Mas teve o voo feito de tanta imaginação que não se pode explicar por palavras sem que haja uma perda. Escapa o significado, mas fica a sensação.
Fica pra vida ao mesmo tempo que passa.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Um palco faz toda diferença


Não sou de estereótipos, mas tem horas que não dá pra negar.

Se você reparou bem no que está acontecendo neste momento em relação a comportamento social, deve ter notado o surgimento de uma nova classe de mulheres (justificado pelo gênero feminino do termo): as “Marias-Comédia”. Derivam das “Marias-Chuteira, “Marias-Gasolina” e “Marias-Palheta”, porém se desenvolveram a partir da nova tendência teatral e televisiva “inspirada” nos modelos norte-americanos (o que prova que os EUA realmente ditam costumes ao mundo) nos rumos do humor.
Existe uma variável do tipo Marias-Comédia tiétes, fãs incontroláveis, leitoras de Capricho que são perdidamente apaixonadas por tipos “Zé-Graça”. Essas são as “platônicas”, que quase morrem com um autógrafo ou uma foto e se contentam em ter um retweet do ídolo.
Tem uma outra variante, das moças que já não leem mais Capricho, de idade avançada, que são as mais utilizadas pelo meio humorístico e buscam mais do que uma foto para postar no Facebook (e às vezes elas fazem o que fazem só pela foto mesmo. Vai entender...).


Quem faz sucesso mesmo com elas são membros de programas e grupos que são conhecidos pelo humor ácido e politicamente incorreto. Os protagonistas desses programas que, apesar de nunca terem saído de moda, voltaram com força total, são atores, comediantes e humoristas de stand-up comedy. E esses são os alvos em potencial das “Marias- Comédia”.
Admito que fico um pouco confusa em saber o verdadeiro porquê desse interesse e dessa atração, às vezes histérica, já que, na maioria das vezes, os ídolos em questão são pouco privilegiados esteticamente. A sensibilidade feminina pré-adolescente fez com que estilo e características pessoais se tornassem tão requisitados quanto aparência (boa aparência) física na hora de escolher o ídolo a ser (per)seguido. Tentei justificar esse comportamento pelo grande prestígio que eles vêm ganhando, e em grande parte, merecidamente, já que fazem um trabalho que exige talento, (às vezes) coragem e que faz um grande bem pra quase todo mundo. 
Pode ser que o tipo seja tão cobiçado por causa da importância, que pode não ser percebida por muita gente, que a comédia tem na sociedade. Isso tudo já foi estudado e comprovado: o alcance do humor é muito mais profundo que uma gargalhada automática. Mas não foi estudado por mim e nem é esse o interesse desse texto.
Vamos voltar às Marias em questão.

Durante minha época pré-adolescente, há pouquíssimo tempo, eu tinha o mesmo comportamento maníaco-compulsivo em relação a ídolos (no meu caso surfistas e músicos) que os adolescentes têm hoje. Porém, vinda de uma Era Pré-Twitter, era definitivamente difícil saber e poder interferir na realidade dos admirados. Tempos difíceis em que colírios apareciam em revistas teen em volta de cartas em forma de rolo.
Se o ídolo faz algo decepcionante, a quantidade de protestos recebidos em tempo real é imensa. Antes, para uma celebridade saber que suas fãs tinham reprovado seu comportamento, era preciso esperar que o carteiro passasse por sua rua (porque a aprovação do trabalho era diretamente proporcional à quantidade de bailes de debutante que era convidado). Mas hoje tudo se tornou muito diferente e o surgimento dessa nova modalidade de fã foi favorecido pela tecnologia que permite que elas os sigam, literalmente, com mais afinco.


O benefício (duvidoso) que os artistas desta área usufruem é o de ter mais opções na hora de escolherem a sua parceira (pra vida, ou pra noite (na maioria dos casos, foi comprovada a escolha pela segunda opção)).  Além de febre adolescente, eles possuem, em geral, características relevantes para o convívio a dois: senso de humor e jogo de cintura. O que, francamente, deveria fazer parte de todo ser humano que quando menos espera, se depara com a difícil vida real (e mais difícil ainda vida a dois).
Mas sejamos sinceros! Características pessoais são as últimas coisas que interessam para os devidos fins. Toda essa febre é alimentada por um simples fato, que sequer envolve polêmicas e cara-de-pau, as "luzes da ribalta".
Talvez nada fosse diferente para esses rapazes, em termos de relacionamentos (?), se não fosse um detalhe, que faz toda a diferença: a fama. O fato de estar em cima de um palco muda tanto a concepção que se tem de alguém, que faz com que encontros nunca antes imaginados aconteçam. E por quê? Juro que fiz uma busca. Cheguei até a perguntar, mas ninguém consegue responder ao certo. Já pertence à cultura popular essa valoração de quem já tem destaque, logo, quem já tem destaque atrai quem quer se destacar, por mais que seja entre os seguidores do Twitter.
Quem não deve gostar muito disso são as respectivas Marias dos Zés em questão. Afinal, existe aquela velha história da oferta e da procura. E vamos combinar que deve ser um bocado desagradável ter que lidar com tanta tietagem. Porque pode ser tudo muito engraçado, mas palhaçada tem limite.