terça-feira, 3 de março de 2015

Toda vez que lembro choro como se fosse a morte de uma pessoa. A morte de um eu que faleceu recém-nascido. Tão jovem, tinha a vida inteira pela frente.

sábado, 17 de maio de 2014

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O que vejo sentada no meu sofá

Vejo gente indo pra rua, obedecendo, participando porque sim e condenando pra manter o costume.
Me comovo, mas fico confusa. Fico com o pé atrás porque não sei se amanhã vai ser maior ou se todo mundo vai voltar a dormir.
Fora disso, vejo gente revoltada com tanta coisa distorcida e vejo gente revoltada porque... por que mesmo?
O gigante acordou em passeata mas sei lá quantos caminhavam sonâmbulos.
Vejo gente sonâmbula protestando contra a corrupção com a cartolina roubada da repartição.
Não que não possam haver contradições... Mas tantas assim me assustam.

Vejo fazerem de uma luta anti-Copa (?) uma outra espécie de campeonato com guache verde e amarela, bandeira nos ombros e hino cantado às palmas.
Tanto quanto na Copa, ricos e pobres em uma só voz. Tanto quanto na Copa, todo mundo tem orgulho de ser brasileiro. Tanto quanto na Copa, parece que esse sentimento vai durar até a multidão se dissolver.

No entanto, meu campo de visão é restrito. Os fatos ainda passam por muitos filtros até eu tomar conhecimento.
Mas, por enquanto, vejo assim.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

domingo, 5 de maio de 2013

Não deveria chover

Tenta-se evitar o pensamento, mas como seres humanos super-racionais conseguem ficar um segundo sem pensar?
É impossível.
Quanto mais se tenta, mais se pensa.
O pensamento é o incriminado porque não dá pra culparmos a chuva. Coitada, apenas chove. Cai gota a gota o dia inteiro.

Gota-pensa, gota-evita, gota-tenta-esquecer-mas-não-consegue, gota-tenta-superar-mas-não-supera.

Deveria ser expressamente proibido chover nos dias pensativos.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Aniversário



  Repetidamente sinto como se o tempo tivesse passado voando que eu nem visse que mais um ano já foi. É uma sensação periódica, no entanto lido com ela sempre com o mesmo frio na barriga.
  Reveillon é parecido, mas no aniversário é que vem aquela chuva de perguntas sobre o que faremos e quem seremos de idade nova.
  Olha só o tempo que passou! 
  Os dezoito anos são os melhores. 
  Aos vinte é que tomamos consciência de quem queremos ser. 
  Vinte e cinco é a idade ideal entre corpo e mente. Será?
  Esses dias que antecedem minha data querida são cheios de perguntas.
  Também sinto certa monotonia pela reprise de todo o ritual: a reunião de pessoas, a solidão em dada hora do dia, os telefonemas com a vó cantando parabéns pra você e você sem saber mais como agradecer.
  Agradecemos porque somos parabenizados por viver. Só por isso.
  E comemoramos nem que seja a sobrevivência, que nos dias de hoje não está nada fácil.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Desperdício pra quem?

  Em tempos complicados de preservação, reutilizar e fazer valer cada gota são ordem.
  Cadê o meu direito de dar errado? 
  Era bom quando dava para amassar aquela folha de papel só para passar a limpo. Era bom poder jogar fora coisas que não serviam mais, sem tentar ajustar ou reposicionar. Mas gente que faz isso não é mais bem-vinda. Só há espaço para cidadãos do bem.
  Estão sendo tomadas diversas atitudes para a preservação da humanidade tamanha prepotência e burrice que temos. Primeiro fazemos tudo para deixar o mundo confortavelmente habitável, depois nos contentamos com reduções e cortes. Depois de termos feito tanta besteira, achamos que nunca é tarde para corrigir. 
  Felizes, devemos nos ensaboar de chuveiro desligado, maneirar na comida que colocamos no prato, pensar bem antes de comprar aquela roupa colorida. Felizes, ouviram? Sorrindo para a foto.
  Não cometam o erro de perder um segundo sequer sem ter recuperado um relacionamento, feito alguém feliz, perdido calorias e aberto um negócio. O mundo gira num ritmo econômico-sócio-emocional acelerado, devemos acompanhar. Tudo isso em harmonia com a natureza. Vivendo assim vamos viver mais e melhor! Não dá para desperdiçar pessoas, tempo, energia, dinheiro, plástico...
  Essa é a moda da vez. Vamos ver até quando isso valerá.
  Evitar desperdícios é atrativo, mas tem desvantagens. Ao economizar passos, corre-se o risco de viver de redondeza. Para quem atrai ser imóvel, é bom. Para quem não suporta o mesmo lugar, é ruim. Depende da necessidade de cada um. Depende do que é necessário. O bem comum é muito complicado.  
  Gente é individual e subjetiva. Pensar em qualquer coisa comum é extremo. Definir ideais comunitários chega a ser utópico, mas é um passo para efetivar objetivos. Só é importante lembrar eles até dar cabo à tarefa. Acontece que gente também é muito maleável, esquecida e preguiçosa. Além de adorar uma moda!
  Se a moda é repensar, vamos! Vamos repensar o consumo, inclusive o de ideias prontas e fragmentadas que daqui a pouco a moda é outra. 
  Mas sabe aquele casaco clássico, preto, que sempre está em alta? É como bom senso: combina com tudo.