sexta-feira, 26 de outubro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Em setembro, quase nada



A primavera talvez seja a novidade mais certeira.
Acho que é isso. A única novidade.
Ah! Tem também o ano chegando ao fim. O Natal quase aí, o inverno que não tivemos, sair de casa de vestido sem passar frio.
Agora também era pra ser a fase das chuvas-sem-fim devastadoras que acabam com os sapatos dos mais superficiais, mas nem isso.
Setembro está de meia-idade e não pareceu se importar. Só tem passado.
Não tem sido daqueles meses em que não conseguimos fazer nada, nem parece que nunca vai ter fim. Setembro só envelhece a cada dia.
Também não criei nenhuma expectativa.
Longe de mim querer reclamar da normalidade, muito menos dizer que não houve surpresas. Teve disso também.
Fatos ocorreram e provavelmente muitos mais ocorrerão.
Acontece que não aconteci. Só fiquei no sofá da sala vendo nada passar. Setembro de sala de espera por águas (de setembro, que também existem!) que tragam promessa de vida, abrindo outra estação.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

História de Verdade

- E qual a emoção que você quer sentir?
- Ah, umas emoções aí... de história de vida real mesmo.


Vim buscando sensações relevantes em coisas simples. Me colocava no lugar de algum personagem de filme pra vibrar junto com ele na hora do beijo debaixo da chuva. Provava sabores de sorvete que nunca tinha provado, pedia Campari sem saber que tinha um gosto horrível e tomava até a última gota como se estivesse competindo em alguma maratona de drinks. Pode rir, mas eu buscava realização nessas coisas babacas. Buscava aí porque estava um pouquinho cansada de pessoas. Pessoas decepcionam, e ao contrário de um copo de bebida, não podem ser jogadas fora se não são do nosso gosto.
Dava muito trabalho buscar ser surpreendida positivamente, sabe? Aí, depois de tanto querer e ver que surpresa só vem quando a gente não espera, respirei fundo. Peguei a coragem que passeava por aqui e coloquei no bolso.
Foi fazer isso e ver que a vida da gente, a vida de verdade mesmo, é muito mais interessante que qualquer história da ficção. E se não for, é porque os autores não estão fazendo o seu melhor.
Todo mundo tem um pouquinho de autor em si. Tem também um pouco de vilão, de mocinho, de governanta e de mordomo: tudo que uma trama precisa. Mas é muito difícil saber que se tem tanta coisa sem a ajuda de alguém. O outro é necessário pra abrir nossos olhos.
Consegui emoções, mas não sozinha. Não se pode fazer quase nada sozinha, muito menos conquistar grandes emoções. Minha história é uma obra conjunta, feita por muita gente e com diversas ações construídas. Com cenas grandiosas feitas na base da insistência, com uma pitada de coincidências (devo muito ao "de repente"). 
Insisti porque sabia que valeria a pena, pelo menos desconfiava. Coisa boa a gente sempre desconfia que pode acontecer. E não dava pra esperar, entende? As emoções que tiram a gente do chão eram uma necessidade. Precisava ir atrás e precisava conseguir.
Não sei como está saindo, só sei dos capítulos anteriores. Só vou saber do hoje amanhã na hora da leitura, pois só se lê aquilo que foi escrito. É um probleminha de autoria, mas uma absurda vantagem de vida: ter o presente tão cheio de emoções misturadas que mal se pode ver.
Mas o bom de escrever a própria história é que ela só termina quando acaba. Antes do fim, a gente tem que se virar e preencher páginas em branco, linha por linha.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Baú

Nesses tempos andei refletindo sobre a gente, ser humano, ser tão carente de acontecimentos. Qualquer coisa que tenha um pouquinho de valor desperta uma vontade absurda de fotografar com a câmera ou com a memória. A gente escreve, desenha, guarda um papel de bala como se desse para pegar um momento e guardar para si. Isso tudo porque o que nos torna uma espécie superior às outras é nossa capacidade de lembrar em forma de narrativa, reconstruir algo que aconteceu e contar uma história. Essas histórias se tornam ficção depois de contadas, e acaba que não tem muita diferença entre a moral de uma fábula de La Fontaine e um provérbio no final de uma lição de moral dada pela nossa avó.
Enfim, mais uma vez não era sobre isso que queria falar. Para não ficar enrolando sem chegar em lugar nenhum, vou voltar para as lembranças assim, do nada.
Caixas, álbuns, pen drives e outras coisas servem para arquivar nossas emoções. Elas, às vezes, ficam num lugar que a gente mal lembra, empoeiradas, às traças. Geralmente encontramos quando vamos procurar aquele lenço que nem está mais na moda. Quando vemos que ali estão guardados anos de nossas vidas, perdemos uma tarde inteira, vamos noite a dentro tentando costurar tantos retalhos.
Mas tem quem cuide das suas recordações, quem coloque data nas fotografias, envelopes nos cartões-postais e organize as pastas por assuntos. Sou desse tipo aí. Quero preservar as coisas boas de um jeito que eu possa recuperar na hora que quiser e fazer uma reconstituição nível perícia. Gravo cenas inteiras, inspiro bem profundamente para gravar o cheiro, fico muda para que minha voz não interfira na lembrança.
Economizo o figurino para que as marcas não saiam, e assim, a cena seja reencenada perfeitamente. Sério, economizo as roupas que me lembram de alguma coisa. Tem roupas que usamos num dia que foi tão especial, que perdemos a coragem de usá-las de novo e enfraquecer a lembrança. Tem música que assim que começa traz uma lágrima ou um sorrisinho.
No entanto, por mais concretas que sejam as pontes que nos levem ao passado, elas quebram. Inundam, dão pane, se perdem na mudança. E por mais que a gente não tenha mais nada, a lembrança insiste em existir.
A verdade é que os fatos nos escapam na mesma hora em que acontecem e nem adianta tentar pegar. É o "instante-já" da Clarice. Existem no fundo do baú da mente e não há um jeito eficaz de fotografar.
Não é preciso chorar quando um papel se rasga e nem queimar um HD para esquecer. As coisas ainda acontecem lá dentro de nossas cabeças, mesmo que a gente não queira.

sábado, 21 de julho de 2012

Corre!

Sei que é errado começar colocando o carro na frente dos bois, mas se não fosse essa minha mania de querer prever o próximo passo, eu estaria uns três passos atrás.
Nasci pra viver nesse tempo mesmo, no tempo da pressa. Afobadinha desde pequena, ouvia da minha mãe que "véspera de muito é dia de nada". O pior é que ela esteve certa diversas vezes. Em outras, ela não seria capaz de imaginar a maravilha da surpresa.
Quero (ah, eu quero, sim!) uma sucessão de coisas dando certo, uma sequência de coisas realizáveis acontecendo. Pra ontem!
Já que tá tudo assim tão atropelado hoje em dia, vem sem vergonha de ser precoce. Vem rápido, por favor! Vem ligeiro que eu sinto saudade por antecipação. E esse tempo que acabou de passar já foi desperdiçado longe.
Tempo de nada eu quero é depois, se as expectativas (que explodem!) morrerem na praia. Pelo menos elas morrerão afogadas, sem ar e não enterradas pela areia. Aí sim, eu vou precisar de tempo pra colocar tudo em ordem.
Por enquanto, deixo os momentos vazios pra depois. Agora quero deitar no fim de um dia e ver quanta coisa aconteceu.
Mas vem! Não esquece. Vem pra ficar, nem que seja pra ir embora um pouco depois. (Só que se for bom, pode ficar mais um pouquinho, sim?)

domingo, 8 de julho de 2012

Guerê-guerê

  Eu quase me importo. Chego a ter um pouquinho de pena. Tem horas que as lembranças vêm e pesam um bocado, mas aí eu conto até 10 (5, 3... depende) e passa.
  Não sei como isso não acontece com vocês.
  Isso que sou uma das pessoas mais passionais que conheço.
  Sério que vocês ficam remoendo, re-sofrendo tudo outra vez só por desespero? Eu faço isso, sim, mas só pra não correr risco de me enganar outras vezes. Pra minha memória ficar bem atenta do quanto aquilo me foi inútil e saber que fazer de novo é totalmente dispensável.
  Confiem, é bom agir assim. Economiza sofrimento e adia rugas - sim, tenho me importado muito com rugas, porque já consigo enxergá-las.
  O título e a imagem ali embaixo são uma tentativa de representar um gesto: ombrinhos balançando. "Valéria, sua babaca prepotente. Hipócrita. Vai dizer, agora, que nada te atinge?" Tudo me atinge! Se deixasse marcas, daria pra ver no meu corpo a quantidade de decepção. Uma vez atingida, posso chorar e posso nem ligar. Além disso, prefiro superar.
  Superar às vezes dói. Tem quem ache que é coisa de espíritos evoluídos. Eu acho que é economia de tempo.
  "Enquanto eu não encontro" uma saída, dá pra viver todo o resto que se tem pra viver. É mais ou menos como um download: enquanto uma coisa tá sendo processada, outra pode começar ou terminar. (show de metáfora, não? -n) É mais prático, sabe?
  Não aprendi isso sozinha, não. As coisas que vi(vi) e as pessoas que conheço e ouço falar foram que me ensinaram. Devem ter ensinado a vocês também, não é possível! Vocês é que não prestaram atenção.
  Pode fazer escândalo, pode ser o pior do mundo. Vai passar. O que (quem) fica é muito pouco (mas é o que vale a pena).
  Apesar de cansativas, as coisas que causam rugas também fazem a gente crescer.
  É como a velhice: incomoda a marca que deixa no rosto, mas a bendita experiência compensa. Aí é só mudar a cara - tantas as maneiras que existem de rejuvenescer a aparência - e lidar com o que vier com o mesmo rostinho de adolescente. Ninguém diz que você tem tantos anos. Vale até mentir a idade.
  Antes enganar os outros que ser enganado, né?
  Mas enganação é outra história... que pra mim [ombrinhos balançando]...



domingo, 24 de junho de 2012

É...


"Cansou de fazer sempre os mesmos programas
Cansou, então inspire-se na ousadia
E afaste a monotonia da sua semana
A monotonia do seu dia após dia"

  Grande defeito esse meu de enjoar rapidamente das coisas. Me incomoda um pouco, mas me traz mais bem-estar que incômodo, logo, deixo assim mesmo e trato de não mudar. Assim, a novidade sempre me aparece. A agonia do marasmo é pior que a pressa em ajeitar tudo bonitinho pra deixar as coisas bem interessantes antes que entediantes.
  Só não me cansei ainda das coisas que se renovam.
  Inflexibilidade é chato. Flexibilidade demais é falta de personalidade. Eu acho.
  Eu sei lá... gosto mesmo é da minha vida, que nunca é a mesma. Nem nunca vai ser.