quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Sobre nada

Dormi pouco, depois tive a sensação de ter dormido demais.
Cansei muito fácil, passei calor.
Quase me animei e desisti.
Deu vontade de ir a lugar nenhum, olhar pro nada e de sair daqui;
Equilibrei um lápis entre os dedos, comi bolacha separando o recheio, copos d'água, idas ao banheiro desnecessárias.
Tento me concentrar, não consigo. Bato recordes em coisas sem sentido.
Cara de cu.

domingo, 25 de dezembro de 2011

2011, meu ano de improbabilidades

Começou como todos: num réveillon sem grandes novidades. O pensamento positivo, a gratidão pelo ano que havia passado, a esperança de que as coisas boas se tornassem cada vez mais frequentes na minha vida, que são os clichês de fim de ano, estavam lá comigo. Estava feliz, mesmo. Mas, por mais estranho que pudesse parecer, queria que o ano que começasse fosse diferente de verdade. Queria me tornar mais egoísta. Isso mesmo, mais egoísta.
Pode espantar e causar reações negativas saber que alguém deseja um "defeito", mas no meu caso era um defeito necessário. Não que eu fosse a mais altruísta das pessoas, longe disso. Mas meu egoísmo ainda era muito infantil. O que eu queria era preservar minhas vontades acima de quase todas as coisas e não segurar as coisas do mundo como se fossem minhas. Aprendi que só é meu aquilo que vem de mim e não poderia ser diferente. Desejei que fosse assim e fui tentando.
Foi difícil. Quem esteve ao meu lado viu quantos tropeços tive que dar pra conseguir me equilibrar nesse "novo estilo", que é apenas um novo jeito de lidar. Continuo a mesma, já que acredito que as pessoas não mudam na sua profundidade. A personalidade é algo que está em construção, mas nunca em reforma. A mudança acontece naquilo que é acrescentado, em cima do que já existia.
Mas voltando ao meu "memorial de 2011", queria expressar o quanto esse ano foi diferente. Primeiro por eu levar em consideração os meus desejos, depois por permitir que as coisas novas chegassem até mim. Deu um medo!, mas valeu a pena.
Conheci tanta gente! Gente que nunca tinha visto, que conviveu comigo por um tempão mas que sabia só o nome e qualquer coisa, gente que reapareceu... Teve gente! E, assim como acontece com todo mundo, teve gente que só passou. E mesmo as que só passaram foram importantes no conjunto. No entanto, a superficialidade, apesar de divertida, traz consigo um vazio. É aí que entra a parte "compensatória", a melhor parte de todas: eu ter conhecido pessoas lindas e importantíssimas.
Esse ano foi bom por causa das ações, dos acontecimentos, mas principalmente por causa das pessoas.
Eu queria agradecer a todo mundo que gastou um tempinho me ouvindo, me lendo, indo ver como eu estava. A todo mundo que me recepcionou, se preocupou, que riu comigo.
No dia 31 de dezembro de 2010, eu não poderia imaginar o quanto seria feliz, o quanto ficaria triste, o quanto sentiria saudade, o quanto abstrairia, relevaria, faria escândalo por nada, relembraria, tentaria de novo, inovaria...que ano!
E sou tão, mas tão grata por ter sido exatamente como foi.Tiveram partes dolorosas. Partes preguiçosas. Sou grata por todas as partes, pelas novas, as velhas que foram, as velhas que permaneceram e aquelas que já se misturam com o que sou eu.
Mas o ano, tão impressionante, chegou ao fim. E começa outra vez aquele balanço dos meses passados e a lista de planos pro ano que está prestes a começar. É clichê, sim, mas a promessa de renovação e de recomeço nos traz brilho à vida e um significado mais enfeitado para o encerramento de um ciclo.

E pra terminar, queria dar uma dica, a minha "receita de ano-novo", se é que eu posso usar essa expressão. Pode ser que tudo o que aconteceu tenha sido obra do acaso, mas eu duvido muito. Pra mim, tudo aconteceu como aconteceu - as coisas boas e as ruins - porque eu e os que estavam a minha volta agimos de determinada maneira. Então a dica é: agir. Ficar no fluxo da maré por muito tempo nos faz personagens secundários nas histórias dos outros (o que tem seu lado positivo).
Resta decidir se o momento é o de só estar ou protagonizar.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cansei de gente hipócrita. Cansei de esperar algo diferente.
Cansei de lembrar o tempo todo, de relacionar tudo. Cansei de ficar tão longe, de não ser capaz de planejar um mês à frente.
Cansei
de fingir que nada disso importa.

domingo, 6 de novembro de 2011

De como não conseguimos ser felizes sozinhas

Pode parecer que conseguimos nos virar muito bem sem ninguém. Que não há nada que pague nossa liberdade e que respirar levemente é suficiente para que surja um sorriso no final do dia.
Engano nosso.
Não há como sermos felizes sem alguém. Por mais que não tenhamos ninguém por perto em algum momento feliz, ele só existe porque alguma coisa aconteceu e, sem dúvida alguma, foi preciso de mais alguém para dar certo. Sozinhos somos pouca coisa, algo incompleto.
Nossa busca varia: ora buscamos companhia, completude. Ora buscamos solidão, privacidade.
A parte triste é que só conseguimos atingir a solidão dos outros, a privacidade na individualidade. Só fugimos do resto do mundo e não conseguimos fugir de si. O nosso "eu-mesmo" não nos desgruda, ao contrário, parece gritar quando estamos desacompanhados.
Às vezes esse "eu" é insuportável. É sincero demais, é leal demais, é justiceiro demais. E como é egocêntrico! É só alguém do mundo de fora nos decepcionar para que achemos que dignos de nosso merecimento, só exista nós. Apenas um vacilo já é suficiente para pensarmos que ninguém, além de nós, pode ser confiável.
O humano disso tudo é que tem lá seu fundo de verdade. Cheguei a pensar que eu seria meu melhor amigo, porque ninguém faz por mim aquilo que faria pelos outros. Cheguei a pensar num excesso de altruísmo não correspondido e sobre como a gente só pode contar consigo para qualquer coisa.
Ah, esse "eu" que me afasta do resto! Esse "eu" a quem vivo presa, como eu queria mudá-lo!
Nunca satisfeitos, sempre buscamos aquilo que poderia ser. Como eu não queria esse "eu", esse inevitável "eu"! Inevitável companhia.
Na tentativa de termos momentos mais leves e mais inovadores vivemos com os outros. Amigos para a felicidade, o resto para todo o resto. E o "eu" para sempre.
A gente deve se aceitar e precisa gostar de si, por uma simples obrigação. Não existe fuga de si mesmo. Só existe fuga dos outros.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Nada novo sob o sol

Por mais que sejamos inéditos, seres únicos, vidas nunca antes vividas, os grandes clichês perduram pela existência humana.
É natural pensarmos que tudo o que nos acontece é realmente especial e diferente de tudo o que aconteceu com todos os outros. E é assim. Não existem coisas repetidas. Notei que o que se repetem são as reações, os modos de agir sobre o que acontece.
Os grandes clichês sobre morte, relacionamentos amorosos, honestidade se repetem incessantemente: romances mal-resolvidos, pessoas sem escrúpulo que aparentemente se dão bem, luto e crenças instantâneas a partir da morte e mais um bocado de coisas que nem consigo enumerar. A angústia de personagens de um romance de 1892, que acontece em outro país, é a mesma sentida pelo casal principal da novela das 7, que é a  mesma angústia de algum amigo seu e de alguém que você nem conhece.
Mas, mesmo assim, nós ainda achamos que temos uma certa exclusividade quando passamos por situações-problema. Por mais que recebamos conselhos, que ouçamos opiniões, acabamos pensando que ninguém nos entende, porque ninguém compreenderia tamanha complexidade emocional. Não. Muita gente já se sentiu do jeito que você está, mesmo que você negue isso.
E como as pessoas dizem: tudo passa. Não adianta conceder título de eternidade.
Estava condenada ao desespero sem-fim e nem poderia imaginar que estaria bem, menos de uma semana depois. Uma semana é tão pouco tempo quando estamos tranquilos e um suplício quando estamos aflitos. O tempo passou se arrastando e agora ele voa, como sempre. E eu continuo sem poder fazer quase nada, mas agora sem desesperar.

domingo, 25 de setembro de 2011

Antes de 45 minutos

Possibilidade é a única certeza, além do fim. Logo, viver é mergulhar nas possibilidades, na primeira de todas as possibilidades: aprofundar ou passar por. Tudo é escolha, tudo poderia ser diferente se um mínimo detalhe não tivesse existido e é por isso que não existe nada igual. Nada.
A gente sempre tem uma possibilidade, mas nem sempre se tem oportunidade e o difícil é se controlar pra se jogar com cuidado. Não deixar de se jogar, de tentar. Nunca! Só pensar um pouco nos prós e contras antes de qualquer coisa e pesá-los. Quantidade nesse quesito é o que se torna insignificante perto da profundidade e complexidade das sensações, isso é o que pesa (e é isso que fica).
É tão difícil ter que escolher e ao mesmo tempo é sufocante não enxergar uma outra via. É uma sensação misturada, com gente de todo tipo, opções variadas e futuros diversos.
Sair do microcosmo e ver um pedaço do mundo faz mudar tanta coisa e nos deixa confusos, perdidos. É muita gente. Pessoas que vivem no lugar das outras e a falta de lugar. Onde a gente deveria estar? Que lugar é o mais apropriado?
É sair do sufoco, essa é a meta. Sair do mínimo, voar pra mais mesmo sabendo que o pouso pode ser no mesmo lugar da saída ou num lugar pior. Mas teve o voo feito de tanta imaginação que não se pode explicar por palavras sem que haja uma perda. Escapa o significado, mas fica a sensação.
Fica pra vida ao mesmo tempo que passa.