terça-feira, 11 de dezembro de 2012

"Se eu morresse amanhã"

Fico pensando em tudo o que aconteceria logo em seguida à minha morte.
O verso de um poema esquecido serve de título. Poema de alguém que nem me lembro. Tão frágil quanto, penso que a vida será esquecida, inevitavelmente, quando acabar e se resumirá a um epitáfio.
Não pretendo me lamentar, porque lástima não me atrai. Reclamação, sim, é meu forte. Reclamo do pouco tempo que tenho de vida, mesmo sem saber quanto dele ainda existe.
É uma besteira minha, mas volta e meia penso nas coisas que meus olhos não poderiam mais ver. Morrerei sem ter visto tudo, e isso me inquieta.
Desde o primeiro velório que fui obrigada a ir, ficava pensando quem iria ao meu. Quem se sentiria convidado?
Há pessoas que, quando morrem, deixam saudades. Há quem deixe lembranças e também aqueles que deixam trauma. Qual tipo de defunto serei eu?
Se eu morresse amanhã, quem se arrependeria por ter me ofendido demais, por ter me julgado sem necessidade? Quantos olhares tortos de hoje serão motivos de arrependimento?
Quem será que se arrependeria por não ter declarado aquilo que tende a entalar na garganta?
Quantos será que dirão ser meus amigos, que simularão saudades, que imporão luto?
Quem serão os incovenientes que divulgarão coisas que mal sabem sobre mim?
O quanto eu serei importante depois que não existir mais?
O que mais me interessa: quais serão os amores desperdiçados? 
Quem irá me propor um espaço eterno em seu coração? Quem, entre os que vão fazer isso, sabe o significado da eternidade?
Aí chego à conclusão triste: não importa. Qualquer que seja a ação de seja lá quem for, será tarde.
Finalizaria elencando as coisas que gostaria que acontecessem quando eu morresse, mas acho o hábito de obediência post mortem tão sem sentido, que prefiro terminar sem final.
Me fere como ser humano saber que a contradição e os mal-entendidos são apagados com a pá de cal.
Me dói ver o perdão fúnebre e a intransigência viva.